Baútas - Povoado

 O sítio arqueológico das Baútas constitui o melhor exemplo de um povoado de cumeada no território da Amadora, com uma cronologia de ocupação que vai do Neolítico à Idade do Ferro. A existência de um lapiás calcário de grandes dimensões favorecia a defesa natural deste espaço. No entanto, o local seria largamente alterado pela ação destrutiva de uma pedreira em meados do século XX.

Aspeto da intervenção de 1989. 

O sítio foi descoberto e sondado em 1970 por José Arnaud e Teresa Gamito. Posteriormente (1989 e 1990) foram efetuados trabalhos arqueológicos pela CMA com a colaboração da ARQA. Nestes últimos trabalhos foram identificados diversos estratos arqueológicos, nomeadamente uma camada do período Calcolítico, com grande abundância de materiais, colocada sob a forma de aterros em consequência da limpeza dos terrenos para extração de pedra, um nível da Idade do Ferro com uma ocupação selada por derrubes de estrutura (muro) e seu abandono, e por fim, uma camada de intrusão nos interstícios do lapiás com escasso materiais arqueológicos, e que remonta ao Neolítico. Associado à ocupação da Idade do Ferro foi posto a descoberto o referido muro, construído em pedra vã calcária, assente sobre a rocha base, cujo interior era regularizado por lajetas também em calcário.

Aspeto da intervenção de 1990. 

No que diz respeito ao materiais arqueológicos, foram recolhidos abundantes elementos líticos em sílex, nomeadamente do período Calcolítico, sendo igualmente deste período o espólio cerâmico mais representativo, com fundos comuns baseado na esfera (taças em calote e esféricos).

Estrutura (muro) da Idade do Ferro.

Nas cerâmicas da Idade do Ferro sobressaem as ânforas tipo Ibero-púnico, sendo as cerâmicas cinzentas finas mais escassas, tendo estas na sua maioria a forma de taças e pratos.

Alabarda tipo "Atlântico" em cobre.

De referir que em 1982, foi oferecida ao GAPROPA (grupo que iria dar origem à ARQA), por um antigo trabalhador da pedreira, uma alabarda em cobre arsenical tipo "Atlântico", bem como uma lâmina de faca espatulada, igualmente em cobre arsenical, ambas integráveis na Idade do Bronze. Contudo, não foram identificados nas intervenções efetuadas materiais desta cronologia, pelo que a ter existido ocupação neste período, os seus vestígios poderão ter sido destruídos pela ação da pedreira

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